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rss Sindicação

01 Abr 2009 - 16:37:36
Windows para o mundo...



Em função de uma leitura exigida na faculdade fui levada a observar e questionar o funcionamento do mundo atual que implica em vidas para consumo e amores líquidos.

É bem verdade que a atualidade traz intrínsecas temáticas que se baseiam em transitoriedade, ilusão, desconfiança, compulsão, individualismo, acompanhadas da fatídica constatação de que tudo se tornou “descartável”. Mas antes de tecer qualquer comentário acerca desses axiomas acho importante lembrar que uma visão holística dessa realidade deve ser priorizada. É inegável que essas verdades sobre a modernidade tem se tornado cada vez mais presentes e igualmente destruidoras na vida do homem contemporâneo, e que as projeções para o futuro quanto a esse quadro não são muito promissoras. Porém, eu, pertencendo a um grupo de pessoas em consonância com esse contexto, e irreversivelmente inserida nele, desfruto de uma visão um pouco mais otimista.

Os inúmeros benefícios que o mundo “high tech” nos proporciona não só melhoram a qualidade de vida como também geram avanços médicos e científicos antes impensáveis. As facilidades virtuais otimizam o tempo, derrubam barreiras de mercado e revolucionam a comunicação, criando debates, gerando discussões e democratizando a informação. Todo esse avanço gera um leque de possibilidades de ser e agir no mundo que carrega em si a oportunidade de diminuir a alienação e nos tornar pessoas mais conscientes e atuantes.

Uma vida virtual não precisa comprometer a vida real, abdicar-se dela é uma escolha individual (E o mundo virtual seria, nesse caso, apenas mais uma opção de fuga dentre tantas disponíveis). A amplitude que se alcança nesse espaço pode e deve ser vista como uma possibilidade de existência mais rica e de relacionamentos que podem ser cultivados além da presença física, numa situação inédita na história em que se pode transpor fronteiras geográficas e culturais. 

Manter uma visão anacrônica e nos limitar a lançar indiscriminadas críticas as conquistas do mundo de hoje, nos distrai no sentido de encontrar soluções e adaptações mais saudáveis para a vida moderna e, dessa maneira, soa como um triste retrocesso.
Não devemos esquecer que a contemporaneidade é, antes de tudo, uma era de grandes conquistas.

Admin · 48 vistos · 3 comentários

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Comentários

Comentário de: JAugusto [ Visitante ]
Sofia, acho que entendo o que você quer dizer com atitude positiva em relação a essa nossa era das grandes conquistas. Concordo com você no sentido de que devemos buscar melhorar sempre e que temos que conquistar mais, mas penso que há que ser sempre em benefício da humanidade e da natureza, se é que podemos pensar uma separada da outra. Não há dúvida que o mundo 'anda pra frente' e que deve continuar assim. Seria incoerente com minha natureza pessoal e profissional querer voltar à idade da pedra e da ‘televisão à lenha’. Digo isso não apenas do ponto de vista material, mas também do ponto de vista ético, moral e dos costumes. Temos que encarar o futuro com braços abertos, mas também com a mente aberta para que discirnamos o que é justo e o que não é, o que devemos e o que não devemos, o que podemos e o que não podemos. Acho que seu texto está perfeito quando aborda um lado da questão e eu realmente concordo com ele (depois te mostro meu smartphone novo!!!). Porém, no caso específico do Bauman, na minha visão, ele nos alerta para outro lado dessa questão: o do consumo pelo consumo, o do consumo como remediador de ansiedades e apaziguador de conflitos pessoais e familiares, o do consumo que, falando em baumanês, apenas ilusória e instantaneamente solidifica nossas relações líquidas e frágeis, o do consumo como um valor que ‘alguém’ quer que tomemos como nosso sem questionamentos e que nos é incutido explicita e implicitamente e que aceitamos sem resistir. Comprar um produto novo quando se precisa e pode, nada contra. Comprar um produto novo quando se deseja e pode, também nada contra. Mas ser manipulado pela mídia e não perceber... gastar muito mais do que se tem e se enfiar em dívidas só porque o vizinho ou colega tem e eu tenho que ter também... comprar de tudo para um filho para fazê-lo quieto e nos dar algum sossego ou porque ele quer porque quer mesmo que eu não possa... Isso não. Enfim, nada contra seu tênis novo: mas ter 30, 40, 50 pares de sapatos me parece exagerado. Também nada contra quem tem umas ‘prestaçõeszinhas’ dentro do orçamento: mas ter vários cartões de crédito estourados e carnês atrasados é demais... tem muita gente assim e posso te apresentar algumas. Por fim, penso que a modernidade trouxe muitas coisas boas, mas esqueceu um pouco o Homem e sua humanidade em nome de um ideal de vida que só vale de verdade para alguns. Pra terminar: Tão ou mais importante que a qualidade literária ou a erudiçao de seus de seus textos, é a chance de refletirmos sobre os assuntos que você aborda. Já te disse uma vez e repito: parabéns pela coragem e iniciativa.
   23/04/2009 @ 03:41:30
Comentário de: Fernanda [ Visitante ] Website
Sofi, dessa vez você se superou. O texto ficou muito bom!

Mas comentando....

O que eu não suporto é a visão limitada e generalista de alguns que afirmam \\\"o mundo moderno é bom\\\" ou \\\"o mundo moderno é ruim\\\". Como bem afirma Baumam: o mundo é ambivalente!
E devemos aprender a conviver com a diversidade para compreender a mudanças.

Quem sabe Platão hoje em dia não seria um blogueiro?
   08/04/2009 @ 21:28:38
Comentário de: Admin [ Membro ]
Fifi, quando leio seus textos fico babando de orgulho. Quem diria! Quando lembro de minha pretinha de cabelos crespinhos, tão pequenininha e hoje se revelando como escritora! (Desculpe a ousadia de mãe) E sabendo tão bem colocar suas idéias! Bem que eu sonhei um dia te ver na área de ciências exatas!! Até tentei fazer sua cabeça para lidar com os números, mas ainda bem que você resistiu, porque você sabe mesmo é lidar com as palavras!
Bjs
Mamãe
   02/04/2009 @ 14:27:35

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