
Depois de um episódio nada agradável de discussão com uma amiga, me dediquei a refletir sobre esse sentimento incontrolável e igualmente destruidor chamado raiva...
Eu nunca fui do tipo boazinha, que ouve tudo calada. Embora seja bem verdade que algumas vezes já me faltaram palavras diante de situações irritantes, constrangedoras e injustas,.... ainda assim posso dizer que a raiva, rotineiramente, faz parte da minha vida. Xingamentos no trânsito, reclamações desnecessárias, discussões inflamadas, mau-humor crônico e mágoas estiveram presentes em muitos episódios marcantes da minha história. Eu sempre justifiquei a mim mesma com pensamentos do tipo: “Tenho uma personalidade forte, fulano me conhece, já devia saber”; ou então, “#$%¨¨&*(@$$, ciclano sabe que isso me irrita e fez de novo!! Tá de sacanagem comigo!”...Ou fazia uso dos clichês: “É isso aí, eu não levo desaforo pra casa!”, ou o mais conhecido “Quem fala o quer, ouve o que não quer!!” . E todas as vítimas das minhas explosões sempre, de alguma maneira, foram responsabilizadas por esse sentimento que, muitas vezes cresceu em função de um favorecimento por parte do meu tal “gênio forte”.
Ok, “Mas e aí? É possível mudar a personalidade?” Nesse tema controverso, assunto de eternas discussões entre várias linhas de pensamento não pretendo me estender, mas preciso adiantar que, acredito mesmo que sim, com algumas restrições, certamente. Esse meu posicionamento pode até soar como uma forma de justificar minha escolha profissional, mas asseguro que a mesma é, na verdade, fruto dessa minha convicção.
Voltando a questão da raiva, decidi que, por mais que isso despenda energia psíquica, vou procurar controlá-la...Não me refiro a aprender sânscrito e entoar mantras matutinos, ou virar adepta da ioga, nem está nos meus planos fazer um curso de imersão num monastério qualquer...A idéia de transcendência da raiva não me parece muito real, nem funcional, afinal a raiva bem direcionada é o que incita a luta por direitos e combate injustiças.
Enfim, longe de tentar atingir meu nirvana, pretendo fazer uso das boas e velhas técnicas de controle da raiva com mais freqüência. Respirar fundo e contar até 10, usar a empatia e hierarquizar situações por nível de importância, com certeza vão me ajudar. Ano novo, Sofia nova!
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